Impacto Económico

 


O Covid-19 e o seu impacto eco-político e social

Opinião: Zenito Pedro Franco

As consequências da pandemia são mais do que visíveis, vivemos num mundo onde é necessário a aglomeração de pessoas para materializar os projectos e praticar certas actividades em todos os âmbitos. Certos politólogos e economistas não podem referir-se ao impacto negativo que o COVID-19 trará enquanto que já estamos a enfrentá-lo desde quando começou a recessão em países como a Alemanha nos finais de 2019, e se está a agudizar com a crise sanitária que consequentemente produziu e segue produzindo um elevado índice de desemprego a escala mundial. 


Não precisamos ser expertos para entender como a economia mundial tem se movido gravitacionalmente. No entanto, enquanto houver a necessidade de desenvolver é necessário metermos na balança os efeitos colaterais, pois a medida que a tecnologia vai ganhando espaço, o sector manufatureiro estará ameaçado, o que incita o desemprego. E hoje se impulsiona o crescimento do sector tecnológico, tratando de solucionar a necessidade de diminuir as aglomerações, e nos esquecemos o que isso pode trazer. Só para alertar que se formos mais afundo até os professores podem perder o posto.



O desemprego é um elemento chave para a desgraça dos menos afortunados. Por exemplo: de 2009-2019, em dez anos, os agentes de filmagens e certos pilotos perderam alguns serviços com o surgimento dos famosos drones. Se nos focarmos tanto nos problemas futuros os menos atentos vão achar que não há problemas no presente, porém tudo que afecta a uma sociedade determina sobre ela.


O desemprego tem agudizado-se por um motivo que acho convincente. A inexplicável necessidade que temos de enriquecer-nos cada vez mais. Muitos dos empresários-economistas já ouviram falar e estudaram o reajuste, mas não optam em reajustar as suas ganâncias para dar resposta a necessidade de manter os trabalhadores enquanto os ingressos das empresas caem, pois se optassem em reajustar as ganâncias, um número considerável de trabalhadores não se veiam afectados ou forçados a desempregarem-se. 


Entretanto, as empresas cuja as actividades dependem fundamentalmente da internet com entregas ao domicílio adicionais, são algumas dessas as únicas sobre-valorizadas, e aquelas que ainda permitem o pago por intermédio de um anexo ou moeda digital têm sido muito mais sobre-valorizadas durante essa situação. Em contrapartida, aquelas que dependem da manufactura e de um mercado que o comércio flui com a presença daqueles que procuram e aqueles que oferecem são as que têm enfrentado as consequências drásticas dessa crise.




É necessário aceitar que existe um pro e um contra acerca das duas situações supra-analisadas, e devemos aprender com elas. Portanto, enquanto os países cujo a hegemonia monetária e dos sistemas de transações bancárias que permitem e facilitam um 90% da circulação do dinheiro fiduciário no mundo, forem os primeiros a superar essa crise, pelo facto de que centos de países dependam desses, ainda que sejam menos afectados, é sinal de que seguiremos com a tradicional e obsoleta dependência do dinheiro fiduciário. 




A actual situação tem demostrado que certos governos, para além de combater a dependência para atingir a auto-suficiência, devem criar, a respeito dos consequentes efeitos económicos que estamos a enfrentar fruto da pandemia do COVID-19, medidas que solucionem no presente e previnam o futuro, pois se não criarmos novas moedas e novos mercados, estaremos sujeitos a repetir os erros do passado. 


Certamente, a diminuição das actividades económicas de forma generalizada, fará com que alguns sectores produtivos dependam ainda mais de uma dívida pública para reanimar as suas actividades. O factor dependência é um crítico elemento para qualquer economia ou país que queira auto-sustentar-se na medida que, por um lado, a importação é uma actividade fundamental para o auto-abastecimento e, por outro, o sector produtivo está baseado numa economia periférica. 


Em vista disso, se não tiveres receitas para satisfazer certas necessidades ou justificar a impressão de divisas, te sujeitarás a uma dívida pública que dificulta os objetivos comuns, sobretudo eliminar a pobreza. O fim da crise sanitária, desde o ponto de vista económico e a necessidade de reactivar a economia mundial, nos encaminhará à duas possíveis situações.



Primeiro, há uma necessidade impetuosa de reactivar às actividades das multinacionais e outras pelo aporte que essas têm sobre a acumulação originária de capital que beneficia, fundamentalmente, a uma minoria em detrimento da maioria global. Tanto quanto aquelas empresas que representam mais um mecanismo para o enriquecimento desses. 


Segundo, reactivar a economia, por intermédio de empréstimos bancários, dos países que de certa forma se reafirmam como um meio para o enriquecimento dos países desenvolvidos. Os empréstimos motivados pela irregularidade da impressão da moeda são uma das formas de como se reinicia o sistema financeiro mundial, facilitando os bancos que mesmo sem problemas de liquidez, aderem como forma incitante. 

Muitos países não escaparão desse mecanismo enquanto não darem conta de que são um meio para enriquecer a outros. Para os países africanos, uma economia baseada em dívidas pode ser que resulte num investimento a longo prazo, mas é, efectivamente, um investimento a curto prazo.



Desafortunadamente construímos uma economia para encher os bolsos e viver como se o resto não contasse. Entretanto, temos que analisar o por quê que construímos uma economia se ela não nos serve para conter as grandes crises que nos assolam tempo pôs tempos. O maior problema seria voltarmos a vida antiga, que a uns os conforta e a outros os acomoda. Mas e os demais? Pois, salva-se quem puder. Quero dizer que não mudaremos enquanto não entendermos como funciona tudo isso. 


Os países pobres não podem estudar a economia como um fenómeno separado das suas sociedades, que emana de outras sociedades. Deste modo serão sempre dependentes. Cada economia é fruto do seu tempo e lugar determinado, pode que para uns tudo resulta ser um negócio, mas aqueles cuja as crenças estão vincadas a uma vaca não podem dizer o mesmo. Os países “pobres” devem entender o que é o mercado, e saber diferenciar uma economia periférica da economia urbana ou centralizada. Faria uma grande diferença entender e meter em prática tudo. Pois o desconhecimento vem gerando tranquilidade a esses. 




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